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15.Jan.21

Ser Escritor é Cool - Resultados do 2º Desafio | 3º ciclo

Os vencedores do 2º Desafio do 3º ciclo do concurso de escrita "Ser Escritor é Cool" já foram encontrados. Relembramos quo o tema deste desafio era "Não tenho nada para fazer! E agora?"

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Dos 22 trabalhos a concurso, houve 1098 votos do público e inúmeras partilhas, leitura dos textos, audições dos podcasts e visualizações dos vídeos a concurso.

 

Os vencedores deste 2º desafio foram:

1º LUGAR - Andreia Mimoso, António Batista, Daniela Serra e Sofia Marques Fé – Agrupamento de Escolas de Marvão

2º LUGAR - Ângelo Matos – Agrupamento de Escolas de Gavião

3º LUGAR - Leonor Antunes – Agrupamento de Escolas de Castelo de Vide

 

Face à qualidade dos trabalhos, o júri atribuiu, ainda, duas MENÇÕES HONROSAS a:

André Gonçalves – Escola Secundária da Portela

Maria Saldanha - Escola Secundária da Portela

 

Para que possa voltar a ler os textos dos Escritores Cool vencedores deste 2º desafio, aqui ficam os trabalhos.

1º LUGAR - Andreia Mimoso, António Batista, Daniela Serra e Sofia Marques Fé – Agrupamento de Escolas de Marvão

 

       

 

Andreia Mimoso, António Batista, Daniela Serra e Luana Felício 

 

2º LUGAR - Ângelo Matos – Agrupamento de Escolas de Gavião

Não tenho nada para fazer e agora?

No fim de um dia de aulas, pelas cinco e meia de uma segunda-feira, regressei a casa de autocarro. Olhei pela janela e apercebi-me de que estava a começar a chover. O céu estava carregado, com muitas nuvens cinzentas, e o vento era forte e frio. Fiquei tão esanimado...

Quando cheguei a casa, fui para o meu quarto. Queria tanto ir andar de bicicleta com os meus amigos e não podia! Maldita chuva... Senti-me desgostoso e uma frustração enorme! E, com tanta tristeza, o meu quarto confortável e quentinho parecia estar a encolher! Faltava-me o ar! Depois sentei-me na borda da cama e pensei:

Não tenho nada para fazer... e agora?

Pensei e repensei...

E se fosse jogar à bola?

Hum... não me apetece!

E que tal ver televisão?

Não está a dar nada de jeito...

E se telefonasse aos meus amigos?

Talvez, mas devem estar ocupados.

E se fosse dormir um bocadinho?

Não. Não estou com sono...

Parecia que nada me agradava. Sentia-me triste, sozinho e desconfortável porque não tinha nada para fazer. As opções não me encantavam...

Voltei a pensar, a pensar e a repensar, até que tive uma ideia! Estava a chover torrencialmente e havia um sítio onde me sentia confortável e feliz: a estufa dos meus avós!

Corri até lá e entrei. Estava abafado e quente! Olhei em volta e vi o branco do plástico da estufa e o verde das plantas. Cheirava a ervas e a terra molhada. Abri alguns regos e lancei sementes na terra. Plantei pimentos, couves e feijões, para depois os regar. Agora era só esperar que germinassem para os ver crescer!

Depois da estufa, ajudei a minha avó na cozinha, a fazer o jantar e depois a lavar a loiça. Tirei café para os meus avós e, finalmente, fui para a cama.

Já deitado na minha almofada, aninhado debaixo dos cobertores, pensei que, afinal, sempre tinha algo para fazer. Se calhar temos sempre qualquer coisa para fazer, que nos faz sentir bem, mesmo que não seja aquilo que esperávamos ou que tínhamos planeado.

 

3º LUGAR - Leonor Antunes – Agrupamento de Escolas de Castelo de Vide

Não tenho nada para fazer! E agora?

Era um domingo de inverno… A chuva era intensa, o vento soprava e o frio não era muito suportável.

Era dia de ficar em casa! Os pais saíram para trabalhar e eu fiquei reduzida às paredes de casa. Ia ser um dia para esquecer, não tinha nada para fazer! E agora? Bem me lembrava eu dos tempos incríveis que passava na casa dos senhorios onde a minha avó trabalhava, passava tardes inteiras a ler livros, mas em casa não tinha nada disso. Então pensei:

- Já li tantos livros, mas nunca me atrevi a escrever um.

E então peguei numa caneta e numa folha, sentei-me e comecei a história.

Hotel del Luna

Ano de 956 d.C, Katerina a chefe do seu grupo de rebeldes, cujo objetivo era roubar aos ricos para depois dar aos mais pobres já participara em várias batalhas, ou seja, já tinha roubado a vida a muitas pessoas. Mas, na sua última batalha algo correu mal, todos os seus companheiros acabaram por morrer… Em desespero matou todos os seus inimigos e carregou os corpos dos seus companheiros numa simples carroça. Vagueou por vários dias no deserto à procura de um misterioso hotel, dizia-se que só os mortos o poderiam encontrar e hospedar-se. Ela queria deixar os seus companheiros nesse hotel para descansarem e poderem seguir em frente.

Enquanto procurava pelo hotel, Katerina encontrou uma pequena cabana e pensou que podia descansar lá. Ao chegar perto viu uma pequena velhota, a senhora tinha um ar misterioso, Katerina não se importou e perguntou se poderia ficar durante uma noite. A senhora abanou a cabeça afirmativamente e ainda lhe deu um chá. Katerina ao beber o chá sentiu-se estranha, levantou-se da cadeira e começou a cair no chão, era como se o chão se mexesse. Para piorar o dia, uns soldados vinham montados nos cavalos atrás dela, sem pensar ela agarrou na espada e começou a lutar. Depois de ter matado todos os soldados, Katerina caiu no chão. O seu olhar fixou-se numa árvore enorme, nunca vira uma assim, espetou a espada na árvore e olhou para o céu. Quando o fez, olhou a lua e era como se ela falasse consigo. Naquele momento, como por magia, um hotel começou a surgir da areia, e ao virar a cabeça viu várias almas famintas vindo em direção ao hotel. Confusa voltou a olhar para a lua e por alguma razão sentiu-se estranha e então percebeu - a lua havia lançado uma maldição sobre si. A partir desse momento Katerina teria de cuidar do hotel e dos seus hóspedes.

Ano de 2004, Katerina perdera a esperança, já vivera durante muito tempo só queria partir em paz. Quando foi visitar a árvore em que havia espetado a espada viu um humano a arrancar as flores da árvore. Catarina furiosa pergunta ao homem o que está a fazer.

- Eu só queria apanhar uma flor para o meu filho, ele faz anos hoje. – dizia o homem.

- E isso dá-te razão para invadir este local e roubar uma flor?!

Enquanto dizia isso percebeu que o homem estava a morrer e perguntou:

- Tu nem sabes que estás a morrer, pois não?

O homem confuso não estava a perceber o que ela estava a dizer, quando olhou para a mão viu que ele estava transparente e com lágrimas nos olhos disse:

- Por favor, não me deixe morrer, o meu filho é demasiado novo e não quero deixá-lo sozinho neste mundo.

Katerina viu esta oportunidade para fazer um acordo com o homem, se ela o salvasse ele teria que vender-lhe o seu filho, e quando ele completasse 21 ele teria que trabalhar para ela no hotel. O homem concordou e saiu de lá. Katerina, muito pensativa e furiosa falou para a árvore:

- Em dois mil anos que estiveste aqui nunca deixaste crescer nenhuma flor, porquê agora?

Chegou 2019, estava na altura de o jovem rapaz vir trabalhar , pois já havia completado 21 anos. Quando ele veio ao encontro dela para trabalhar, não sabia no que se estava meter, pensava que ia trabalhar num simples hotel, mas depois de Katerina se apresentar e mostrar como o hotel funcionava ficou assustadíssimo e pensou em fugir, mas lembrou-se do que o pai lhe havia dito e então permaneceu lá. Depois de algum tempo a trabalhar juntos, ambos começaram a ter sentimentos um pelo outro, mas nunca se envolveram, pois sabiam que um dia se iriam separar.

Certo dia apareceu uma senhora no hotel, Katarina não a achou estranha, pois era a mesma senhora que lhe oferecera o chá há mil anos atrás. Ela disse que queria falar com o rapaz a sós, enquanto conversavam a senhora ofereceu-lhe um chá misterioso, rapaz bebeu-o sem deixar nada para trás, e passado algum tempo parecia que o chão estava a mover- se, e caiu de corpo morto no chão. Katerina ao saber da situação implorou à senhora para desfazer a maldição, pois quem bebesse o chá teria de carregar a maldição de cuidar do hotel. Mas não adiantou, agora ele era o dono do hotel e o seu trabalho seria confortar os hóspedes (almas/fantasmas) e levá-los à vida após a morte. Como Katerina já havia morrido há muito tempo só estava presa ao hotel, tornou-se numa hóspede. O rapaz , depois de receber o trabalho como dono do hotel, teve que levar a sua amada para a vida após a morte e governou o hotel sozinho a partir desse momento.

Quem sabe um dia apareça outra pessoa e ele livrar-se-á da maldição, tal como a sua amada.

Fim

Larguei a caneta e disse:

- Deveria começar a escrever mais histórias, até que é interessante.

Os pais chegavam do trabalho e, toda alegre, fui mostrar a história que havia acabado de escrever. Parece que quando se entra no mundo da literatura não há volta a dar.

 

Consulte os trabalhos a que foram atribuídas as Menções Honrosas em:

2º Desafio "Ser Escritor é Cool" | Conheça os trabalhos e vote nos seus favoritos (3º ciclo)

 

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